Conversando com Jum Tabata
Matéria: Glauco(glauco@pesquesolte.com.br)
Fotos: Jum Tabata(jumtabata@tucuna.com.br)

Pesquesolte: Quando você começou a pescar? Quando veio a paixão pela pesca?
Pesco desde os cinco anos de idade. A paixão pela pesca veio com o primeiro peixe, um lambari, pescado em uma cachoeira na companhia de meu pai.
Pesquesolte: Como foi o seu percurso até chegar as revistas e programas de TV?
Tudo aconteceu graças à paixão pela pesca esportiva. Lia e assistia tudo o que estava a meu alcance. Comecei escrevendo pequenas matérias para o jornal Fishing News, em 1.997. Em 98, entrei para a revista Pesca Esportiva, começando com reportagens em pesque-pagues. Aos poucos, viagens maiores e maior contato com o universo da pesca esportiva. Depois de alguns anos, surgiram os convites para trabalhar em outros veículos do meio.

Pesquesolte: Quais os seus peixes preferidos?
Robalo, black bass e tucunaré.
Pesquesolte: Qual a pescaria que mais marcou?
A primeira vez no rio São Benedito, em 1.999.
Pesquesolte: O que é a pesca esportiva na sua opinião?
A pesca esportiva é o melhor entretenimento do mundo. Leva-nos à Natureza, mexe com emoções, é inteligente. Quem pesca esportivamente sabe.
Pesquesolte: Você se lembra da primeira vez que soltou um peixe? Como foi?
O primeiro peixe solto foi também um dos primeiros a ser pescado esportivamente com isca artificial: um robalo, na região de Iguape-SP. Apesar da pressão em levar o peixe, coloquei-o na água e ele se foi. Foi o primeiro de muitos, uma coisa fantástica.
Pesquesolte: Qual a sua opinião sobre os tamanhos mínimos e as cotas atuais?
Acredito que a tabela de tamanhos mínimos segue um critério razoavelmente justo, apesar da falta de estudo científico para boa parte das espécies. As cotas são regionais, e apesar de seu desenvolvimento em locais como o Pantanal, certas porções da Amazônia e o estado de Goiás, grande parte do país ainda não estabeleceu seus limites, principalmente no litoral. Existe trabalho de divulgação de tais medidas, mas a fiscalização é fraca. O principal, porém, é a conscientização do impacto gerado pelo pescador amador no ambiente. Há os que respeitam medidas e cotas, mas a maioria ainda leva tudo para casa, sem questionar.
Pesquesolte: Qual a sua opinião sobre a idéia de definir tamanhos máximos?
Boa. Preserva-se o exemplar com genética vencedora, pois estatisticamente são poucos os animais que chegam ao seu tamanho máximo. Para o abate, peixe de tamanho médio é o melhor que há.

Pesquesolte: O que você acha das iscas artificiais nacionais?
Acho que o diferencial das iscas nacionais é a adaptação à nossa realidade. Ainda que em termos de acabamento e tecnologia ainda fiquem um pouco atrás de iscas importadas (mas não muito, e não por muito tempo!), as iscas brasileiras são, em geral, feitas para peixes brasileiros. Flutuabilidade, ação, balanço, tamanho, garatéias... as empresas sérias, pelo menos, devem levar desenvolver essas características levando em conta as peculiaridades de nossas espécies e condições de pesca.
Pesquesolte: Quais dicas você daria para um pescador iniciante?
Preste atenção no que fazem os pescadores mais experientes, leia, pesquise, treine. Não desista, e o resultado inevitável será um peixe na sua linha.
Pesquesolte: Recentemente você passou alguns meses morando no Japão, como foi essa experiência? Como foram as pescarias por lá?
O Japão foi uma experiência inesquecível. Para mim que sou descendente, um encontro com a essência cultural da minha família. Verifiquei de perto o mercado de pesca esportiva japonês, extremamente evoluído em relação ao nosso. Pesquei black bass e truta, foi ótimo. Mas o que fez brilhar meus olhos de pescador foram mesmo os equipamentos japoneses. Tudo avançado e com acabamento impecável. São verdadeiros brinquedos de gente grande. Dá vontade de trazer meia loja para o Brasil!
Pesquesolte: Com relação aos equipamentos japoneses, o que mais impressionou?
Impressionou o acabamento e o esmero dos japoneses em segmentar a produção de equipamentos para todo tipo de pescaria possível. Desde a pesca com jumping jigs no mar a mais de 200 metros até a pesca de peixes do tamanho de uma unha com anzol quase invisível, tudo é feito com precisão e capricho.
Pesquesolte: O que poderia ser feito para divulgar mais a pesca esportiva?
Acho que falta mais divulgação da pesca esportiva em veículos que não apenas os do próprio segmento. Por exemplo, poderia aparecer mais pesca em programas de esporte, com cobertura de torneios pelo Brasil. Afinal, eles estão evoluindo a cada ano, e certamente já dariam uma boa pauta nesse tipo de programa. Sem contar revistas, jornais e Internet.
Pesquesolte: Quais os seus ídolos (referências) na pesca?
Muita gente pode ser citada como referência para mim, pelas mais diversas razões. Pessoas ligadas à mídia, guias de pesca, empresários, pescadores e amigos. Prefiro nem dizer nomes, pra não esquecer ninguém. Mas dentro e fora da mídia, há um pessoal muito empenhado incentivando a pesca esportiva e seu crescimento.
Pesquesolte: Quais os seus projetos / atividades atuais?
Hoje, colaboro com reportagens para a revista Terra da Gente, abordando a pesca esportiva e outros temas ligados a Natureza e conservação. Também estou colaborando com um amigo para o desenvolvimento de um site de pesca esportiva, o www.pincho.com.br.
Pesquesolte: Quais são os seus planos para o futuro?
Buscar uma maior profissionalização dentro de atividades ligadas à pesca esportiva. O site é apenas uma das iniciativas. Não é nada fácil ser bem sucedido neste ramo, quem vive nele sabe. Mas não podemos deixar de acreditar. Transformar nosso hobby em atividade de trabalho é prazeroso, mas não deixa de ser um desafio.
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