Conversando com Pepe Mélega



Matéria: Glauco(glauco@pesquesolte.com.br)
Fotos: Pepe Mélega (pepemelega@pepemelega.com.br)
http://www.pepemelega.com.br

Pesquesolte: Como foi o seu percurso até chegar a colaborador e editor da revista Pesca & Cia?
Comecei a pescar com 11 anos de idade e depois passei a pescar em campeonatos de pesca de praia aos 16 anos com o passar do tempo a experiência foi surgindo. A firma para qual trabalhava resolveu fazer uma revista, na qual foi escalado para escrever sobre pesca. Alguns textos foram parar em jornais e outros adaptadas para revistas como Pesca & Companhia e Pesca Brasil. Mas tarde recebi um convite do Matheus Zilling para colaborar com a Troféu Pesca foi quando "apadrinhado" por Gustavo dos Reis Filho, o Gugu e Luiz Philippe Santoro , comecei profissionalmente a escrever para um veiculo especializado. Passaram-se alguns bons anos e em 1998 me transferi para a Pesca & Companhia onde hoje sou o editor técnico.

Pesquesolte: Qual o critério utilizado para a escolha das matérias/assuntos a serem publicados na revista?
Muitas coisas são discutidas antes de cada edição mas a principio estabelecemos um plano anual do que queremos fazer e corremos atrás. Diferente do que se imagina tipo, vamos pescar e se der certo fazemos uma matéria. Nossos colaboradores fazem sugestões e recebem pautas a serem cumpridas e dão duro para conseguir um bom material. Existem tendências e assuntos que vão aparecendo durante o transcorrer do ano que passam a ser prioridade. E temos também nossos colaboradores mais especializados que estão sempre atrás de novidade que ajude nossos leitores a pescar melhor.

Pesquesolte: Nos últimos tempos algumas revistas tradicionais deixaram de circular, na sua opinião quais as maiores dificuldades do setor?
O setor esta empobrecido assim como quase tudo em nosso país atualmente. Alguns poucos empresários se organizam e prestigiam as edições especializadas em diversos setores e ganham mercado com essa estratégia. Na pesca funciona do mesmo jeito só que com um impacto maior por sermos um segmento supérfluo onde o gasto ou investimento é facilmente cortado.

Pesquesolte: Qual é o perfil do pescador brasileiro e do leitor da revista P&C?
O pescador brasileiro esta em todas as classes sociais, o que muda é a freqüência com que ele pesca e o grau de interesse. Já como os leitores têm de tudo desde iniciantes a altamente especializados, mas são pessoas que se interessam e procuram informação sobre o assunto. Percebemos isso pelos telefonemas, e-mails e comentários que todo dia recebemos e ouvimos. Muitos estão nas classes A , B e C que parece ser tipicamente a faixa dos compradores de revista segmentadas no Brasil.



Pesquesolte: Qual a sua opinião a respeito das iscas artificiais nacionais? A qualidade está sempre relacionada a um produto importado ou mais caro?
Tenho certeza que os fabricantes de isca artificiais no Brasil deram um pulo enorme nós últimos anos. Hoje eles detêm tecnologia para fazer iscas de alta qualidade a preço compatível com a realidade brasileira. Temos hoje umas dez boas fabricas que trabalham seriamente no mercado, possuem endereço e estão sempre prontas a responder pelo que fazem junto aos consumidores. São essas que merecem ter seus produtos comprados.




Pesquesolte: Qual a sua opinião sobre os sites de pesca e a relação sites x revista?
Acho bárbaro os site de pesca, permitem que as pessoas não iniciadas na pesca tenham rapidamente uma enorme gama de informações úteis e com isso gastem corretamente seu dinheiro para entrar nesse maravilhoso mundo. Acho bons alguns fóruns onde o assunto pesca e pescar é bem abordado provocando boas discussões que se tornam preciosas para a formação "pescativa" dos usuários. A dinâmica e a informação resumida são ferramentas dos sites enquanto as revistas são mais abrangentes e procuram dar a informação com detalhes. Muitas vezes esses detalhes são truques de pescadores com muita bagagem, que são lidos e arquivados por nossos leitores aguardando o momento certo para colocarem em uso. Não os vejo como concorrentes e sim como ferramentas que se completam para manter pescadores atualizados sobre vários assuntos.



Pesquesolte: Quando você começou a pescar?
Aos 11 anos de idade, em 1964. Foi quando ganhei minha primeira vara e molinete de pesca e passei a levar mais a sério. Era o chato dos "por ques", tinha muita vontade de apreender e vivia perguntando a quem já pescava. Antes era linhada de mão, anzol e vela de carro enrolada na garrafa de coca-cola e muita diversão em São Vicente, SP com as betaras e baicus.

Pesquesolte: Quais os seus peixes preferidos?
Na ordem robalo, black bass, traíra, olhete e olho de boi, tucunaré, dourado, matrinxã, truta, xaréu ......... lambari, manjuba. É peixe, dá para pescar, to dentro.


Pesquesolte: Qual a pescaria / peixe que mais marcou?
Pescaria foi no Rio Liberdade em 1996, pescamos muito eu e o Fábio Zurlini. No grupo só tinha fera que nós admirávamos como o GUGU, Paulo César (o do Fly), Marcelo Morales um argentino feroz no fly, Roberto Carlet. Deu tudo certo pescamos muito, eu apaixonado pela traíra, tava louco para pescar uns traírões. Ai começou um, dois , três um monte...5, 7, 9 kg até bater o recorde da IGFA com um de 10,250 Kg com linha 10 libras de resistência marca Ande, uma Calcutá 100 e uma vara Greg's de 14 lb, foi lindo.. Obrigado ao Gugu que me "atormentou" para ir nessa viagem. O peixe que mais marcou foi um olho de boi que durante muito tempo foi recorde brasileiro, acho que ainda é. Foi em 1995 em Ilha Bela com o Tuba e o Fábio para variar. O material era uma Calcutá 100, vara do Greg's de 20 lb e linha Ande 12 lb. Marcou muito foram 40 minutos de briga em companhia de gente que eu gosto muito e que pescam muito bem.


Pesquesolte: Você sempre pescou e soltou? Você se lembra da primeira vez que soltou um peixe? Como foi?
Não, existiu momentos em torneios que não soltava peixe, pois tinha que apresenta-los no final. Sempre gostei de comer peixes e sempre sacrifiquei alguns, não mais do que dois ou três. Mas desde o tempo da garrafa de coca-cola já soltava as betaras e os baicus. Minha mãe não gostava de limpar os peixes para guardar então eu soltava. Foi ela que por tabela me ensinou a soltar os peixes. O primeiro eu não lembro, mas o peixe que soltei que mais me marcou foi um bijupira imenso, não pesamos, pego em Ubatuba, ninguém imaginaria soltar um peixe daquele. Entrei na água e segurei até ele começar a se mexer então simplesmente fiquei apoiando-o nos braços até ele nadar rumo a liberdade, confesso que chorei emocionado, foi 1h20m de briga e pode vê-lo ir embora sem problemas.

Pesquesolte: Na sua opinião, qual o significado da pesca esportiva e sua importância?
Pesca esportiva é uma forma de vida, parece chavão, mas é a realidade. Pescar esportivamente é viver tudo o que acontece em torno de si, são momentos mágicos que vivemos em conjunto com a natureza. Muitas vezes em locais tão belos e só disponíveis para os loucos apaixonados por esse lazer maravilhoso. Ela é importante ao ponto de gerar divisas para o Brasil, sem erguer uma chaminé, muito pelo contrario, ela preserva a natureza, pois sem essa não há rios, lagos, lagoas e mares para se pescar.


Pesquesolte: Qual a sua opinião sobre nossa legislação da pesca? O que poderia ser feito para melhorá-la?
Fraca, mas em evolução ultimamente. Pelo menos limitamos a cota para 10 kg em águas internas e 15 kg no mar quando eram 30 kg para qualquer ambiente. Fala-se em pesque e solte, quem foi que criou, quem divulgou, etc. Mas ninguém lembra que foi obrigatoriamente introduzida pelo hoje IBAMA com a criação dos tamanhos mínimos de captura. Grande passo, mas depois nada. Não houve pesquisa, não houve bom senso, não houve nada. Surge o PNDPA, e começamos a caminhar um pouco, novas proposta, chegou-se até em falar de tamanho maximo para o abate de peixe. Mas ai, novo governo e acabou tudo, ninguém fez mais nada. Surge um secretario, com status de ministro, da pesca que viaja para a Europa e promove banquetes com intuito de divulgar o gosto de peixes brasileiros como o pintado, dourado e tambaqui para gerar exportação. Queria saber onde vai achar estoques para a demanda, pois produção em cativeiro ainda não da conta. Ao invés de preservar o especialista no assunto incentiva o abate em águas internas. Será que ele sabe quanto gera de divisa um peixe pego esportivamente e solto para poder comparar contra o que vai se ganhar com o quilo vendido dele abatido. Falta pesquisa e coragem política para arrumar esse setor e não é nesse governo que vamos ver essa vontade.


Pesquesolte: Quais os seus ídolos (referências) na pesca?
Essa lista é longa, pois aprecio o estilo e conhecimento de quem pesca bem. Mas referencia mesmo foram ou são, o Velho Faria, Gugu, Alfredão (o da SM Motores), Rubinho como apresentador de programa não vi nada melhor até o momento, Roberto Carlet e Roberto Kawabe na pesca de praia, Tuba e Renan na pesca de mar e o Pedro Abate na costeira. O talento do Nelson Nakamura arremessando e pescando robalos. O conhecimento do Sr. Hatao Ikebe da MARIPESCA. O espelho na pesca do bass Luiz Philippe e o americano Rick Clunn um mágico nessa arte. O profissionalismo do Roald Andretta. Mel Krieger no fly. E ai vai, vou acabar esquecendo de gente que muito fez pela minha formação "pescativa". Eu tive a sorte de estar cercando de gente que pesca muito e tem muito a oferecer a quem quer aprender.

Pesquesolte: Quais os seus projetos / atividades atuais?
Continuar pescando e aprendendo sobre pesca, com isso procurar sempre melhorar o conteúdo da revista Pesca & Companhia. Quero poder transmitir o maximo possível das experiências de nossos colaboradores, ver boas fotos que ilustrem e passem a emoção que é a pesca. Atualmente também continuo com um trabalho que sempre me agradou, as oficinas infantis de pesca, não oficialmente pelo PNDPA, pelo menos nesse governo. Mas voluntariamente em escolas da capital (São Paulo) que tenho mantido contato.





Pesquesolte: Quais são os seus planos para o futuro?
Livros, primeiro de fotografias relacionadas a pesca principalmente. Depois se me achar pronto, livros sobre haliêútica.










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