VARAS DE PESCA: CABOS

TEXTO & FOTOS: Alexandre Pioli

Nesta matéria conheceremos alguns dos principais aspectos dos cabos. Pelo fato de existirem diversas categorias de pesca, alguns cabos são direcionados para modalidades específicas, como é o caso dos cabos de varas para pesca oceânica, varas para jumping jig, pesca de praia, fly, e outras. Lembramos que o cabo de uma vara é formado pelo rear grip(parte de trás), reel seat (fixador de molinete/carretilha) e foregrip (parte da frente), observar matéria anterior disponível neste site. Porém para melhor compreensão, trataremos como cabo, o rear grip, ou parte de trás do mesmo.

A princípio abordaremos as modalidades de Baitcasting e Spinning, as mais praticadas pela maioria dos pescadores, ficando os detalhes específicos das outras modalidades para matérias futuras.

Antes de falarmos do cabo, propriamente dito, vamos conhecer melhor os materiais utilizados, mais freqüentemente, para sua confecção. Destacam- se três tipos de matéria prima, a cortiça, o E.V.A e a madeira, cada qual com sua peculiaridade, como veremos a seguir.

CORTIÇA - Extraída do carvalho da árvore da cortiça, este material pode ser encontrado no formato de placas retangulares(industrializada), ou aglomerada, numa mistura de resina e cortiça moída. Poucas regiões no mundo oferecem condições para o desenvolvimento da cortiça, sendo o seu principal pólo produtivo a região oeste do Mediterrâneo e a costa Atlântica, mais especificamente em Portugal. A "casca", denominada cortiça, retirada da árvore se renova a cada 9 anos e uma árvore pode durar aproximadamente 150 anos.

E.V.A (Etileno Acetato de Vinila) - Espuma sintética utilizada para vedação, isolamento térmico, amortecimento, flutuação, etc, principalmente nos setores: automobilístico, mecânico, construção, agrícola, eletrônico, militar, naval, refrigeração, esporte e lazer.
O E.V. A é um material impermeável.


MADEIRA - As mais comuns utilizadas são: Caxeta, Cedro, Marupá, Marfim (madeiras claras) e também: o Jacarandá, Mogno, Pau-ferro, Ipê (madeiras escuras), além de muitas outras. Óbviamente cada tipo de madeira tem suas características próprias em termos de dureza, acabamento e durabilidade.



Além do material com o qual são feitos; os cabos podem variar também no seu formato, existindo praticamente dois formatos clássicos: os paralelos, que mantém o mesmo diâmetro em toda sua extensão, e os anatômicos, que possuem variações diversas em seu diâmetro buscando maior conforto para o pescador. No caso das varas feitas sob encomenda os cabos anatômicos podem ser feitos de acordo com a necessidade individual de cada pescador, não havendo nenhum tipo de padrão (foto abaixo) quanto ao seu formato.

Há também alguns modelos de cabos "customizados" que fogem totalmente ao padrão convencional e que na maioria das vezes são originários da criatividade do "rodmaker" - montador de varas - ou do próprio pescador, como o inusitado modelo de cabo para molinetes visto na foto ao lado. Este modelo exótico é característico de algumas varas montadas por "rodmakers" norte-americanos e japoneses.
No Brasil este tipo de montagem é pouco comum, porém pode ser executada por alguns dos montadores de varas brasileiros.



Outro exemplo de cabo "custom" é o modelo criado para carretilhas, onde a principal característica, ao contrário do colorido modelo para molinetes, é sua extrema simplicidade e economia de material. Trata- se de um modelo estranho e de eficácia duvidável.





Apesar das inúmeras possibilidades de acabamento e "design", os cabos devem ser encarados como um importante componente no conjunto da vara, para que a mesma possa ter um bom balanceamento. Basicamente utilizamos três tamanhos de cabos, quando nos referimos a varas para arremesso ou "baitcasting". Estes tamanhos são conhecidos entre os pescadores como: cabos para uma mão, cabos para uma mão e meia e cabos para duas mãos. Como os próprios nomes sugerem, o tamanho dos mesmos, equivalem aproximadamente ao tamanho da pegada da mão, e em centímetros seriam o equivalente a mais ou menos 12cm, 17cm e 22cm. Estes valores são apenas uma referência e podem variar de um modelo para o outro. No caso de varas montadas sob encomenda, o pescador pode solicitar o tamanho do cabo em centímetros, e também optar pelo diâmetro maior ou menor, de acordo com sua necessidade e suas características físicas (mais especificamente, o tamanho de sua mão).

Via de regra, varas menores utilizam cabos menores, senão vejamos os exemplos: vara de 5,6 pés (1,70m) - o ideal seria um cabo de uma mão e meia, vara de 7 pés (2,13m) - nesse caso o cabo mais recomendado seria o de duas mãos. Na verdade utilizando esta relação tamanho da vara/cabo, obtemos teoricamente um conjunto bem balanceado, o qual proporcionara bons arremessos, além de maior conforto para o pescador. Óbviamente existem diversas opiniões sobre este assunto, todas devem ser respeitadas, porém devemos sempre agir com um raciocínio lógico, e acima de tudo utilizarmos o que melhor se adequa ao nosso estilo, ao nosso biotipo e principalmente ao nosso gosto.

Como o assunto é, de certa forma, um pouco extenso, nesta oportunidade ficaremos por aqui, para evitarmos um excesso de informações que poderiam confundir, principalmente, os iniciantes. De certo retomaremos o assunto em breve, onde abordaremos os cabos utilizados em modalidades específicas de pesca.

Espero ter, humildemente, contribuído para que os amigos conheçam um pouquinho mais sobre vara de pesca, e me coloco a inteira disposição para responder perguntas sobre este e outros assuntos referentes às varas de pesca, no fórum deste site ou por e-mail.
Um abraço a todos,

Alexandre Pioli - HALËX CUSTOM RODS
(alexandre.pioli@ig.com.br)

Outras matérias:
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