O pesque e solte funciona?
Verdades e mitos.

     O Brasil apesar de ter a maior diversidade de peixes de água doce do mundo, ainda está dando os primeiros passos em direção da pesca esportiva. Muitos pescadores, principalmente os mais antigos, ainda teimam e relutam na adoção do pesque e solte com alegações infundadas, tais como "o peixe não irá sobreviver", ou "se eu não matar outro vai matar", etc...
     No nosso país ainda temos poucos estudos a respeito da validade do pesque e solte, mas em outros países existem muitas pesquisas sérias e respeitadas que comprovam que o ato de soltar o peixe é extremamente eficaz quando observado alguns cuidados básicos de manuseio e liberação.
     É claro que os índices de sobrevivência variam de acordo com a espécie, mas os estudos apontam um índice médio de 92% de sobrevivência pós-captura e devolução. Na Argentina por exemplo, estudos mostram que uma mesma truta chega ser capturada até 9 vezes em uma temporada de pesca, com isso seu valor econômico no turismo e pesca chega ser 15 vezes superior ao quando vendida como alimento.

Alguns dados interessantes:
- Principais fatores de mortalidade
     Os principais fatores de mortalidade dos peixes capturados e devolvidos à água são o stress, os ferimentos em órgãos fundamentais e o tempo de manuseio do peixe fora da água.

- Iscas artificiais X Iscas naturais
     Ao contrário que muitas pessoas acreditam, as iscas artificiais causam menos danos ao peixe. Estudos mostram que a menor taxa de sobrevivência foi observada com o uso de anzol simples e iscas naturais, quando este se prendia a língua (75%), arcos branquiais (73%) e esôfago (94%). As iscas artificiais por serem maiores são mais difíceis do peixe embuchar e os ferimentos causados se concentram na maioria das vezes na membrana da boca o que causa lesões superficiais e de rápida cicatrização.

- O uso da farpa
     Esse é um assunto muito polêmico entre os pescadores esportivos, com o início da pesca esportiva foi difundida a idéia do uso de anzóis e garatéias sem farpas. A primeira polêmica é se o uso do anzol sem farpa diminui a produtividade da pesca. Sem entrar no mérito da questão, os estudam com grupos de peixes indicam que não há diferença significativa nos índices de mortalidade com e sem farpa.
Obviamente, o anzol sem farpa traz alguns benefícios como a redução no tempo para liberação do peixe e no caso de um acidente com o pescador, fica muito mais fácil retirar um anzol ou uma garatéia sem farpa.

     A pesca esportiva é extremamente eficaz, matar um peixe para comer é compreensível e saudável, agora matar tudo que se pesca por ganância, por ego para se exibir como bom pescador ou por outros motivos fúteis não é mais admissível. Vamos pescar tendo sempre em mente que todos os nossos atos por menores que sejam são importantes para preservação da natureza e que nossos recursos naturais não são infinitos.


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